Sem consenso (NN)

08-03-2013 19:18

O Ponto de Fuga organizou em São Vicente um debate à volta das obras de alargamento do terrapleno e de construção da via de acesso norte no Porto Grande. Estiveram à volta da mesa a Enapor, representada por Franklin Spencer, o Eng.º Guilherme Mascarenhas que tem sido uma das vozes contrárias às obras, entre outros biólogos. A classe política esteve representada por António Monteiro, líder da UCID que entregou no tribunal de São Vicente um pedido de embargo das obras e a Câmara Municipal representada pelo Vereador Humberto Lélis. E a sociedade civil teve a oportunidade de ouvir e intervir.

 

Apesar do debate ter girado à volta das necessidades da obra e dos seus impactes ambientais, acabou quase sempre por desembocar na praia da Laginha e dos possíveis impactes para a mesma.

 

ENAPOR explica-se

 

Franklin Spencer fez a sua apresentação explicando como irão decorrer as obras e os benefícios para a ilha. O factor económico e a necessidade destas obras para a ilha foram o ponto trazido para o debate. “Há que haver um equilíbrio entre a necessidade de desenvolvimento e os níveis de impacte”, explicou Franklin. O aspecto económico foi valorizado por várias intervenções do público.

 

E…

 

O cidadão Adriano Pires na sua intervenção acredita que se trata de um problema económico e que pensa que pode ser resolvido com este projecto. “Fico com a sensação que queremos o porto num postal bonito para o mundo ver, ignorando a realidade”. Afirmação que granjeou muitos aplausos. Alcindo Amado também interveio afirmando que às vezes, é necessário fazer sacrifícios e que “para avançar é preciso fazer algo”.

 

Num consenso não encontrado, durante o debate realçou-se que as vozes não se opunham de todo às obras. Mas a exigência é que haja estudos mais conclusivos sobre os impactes ambientais no ecossistema marinho da praia da Laginha. Esta “falta de garantias” levou António Monteiro a pedir mais seriedade e mais estudos, pois o Estudo de Impacte Ambiental “não é conclusivo”.

 

Mas, de uma forma antecipada, foi pedido que no caso das obras não correrem como se espera, os responsáveis devam assumir. A confiança na classe política foi invocada, acreditando que “não fariam algo somente para prejudicar São Vicente”.